sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PRESIDENTE DUTRA, ISTO, AQUILO O OUTRO


Os parques de diversão

Eu era um menino pequeno, sofrido, muito feio e sumamente pobre, mas agradeço a Deus por tudo isto, acho que ele me testou e fui aprovado em seus duros exames.
Vivi intensamente minha pobreza, e me recordo como se fosse hoje dos Parques de Diversão que se instalavam na Dutra, o local era aí onde hoje existe o Grupo Escolar Manoel Novaes, em frente às casas de Manilim, pai de Dirceu, avô de Osnivan e Ratinho e de Quilôr de Dona Nezita.
Os brinquedos eram: roda gigante, operada pelo “Galego da Roda Gigante”, o qual fazia as moças suspirarem fundo, já que era tido como um verdadeiro galã, e algumas moiçolas ficaram faladas com esse Galego. Haviam as canoas, carrosséis, tiro ao alvo, bingos, onde eram sorteados de bolas à panelas de pressão, além dos jogos das rodinhas, em que Osvaldo Maia foi o melhor da Dutra de todos os tempos, assim como jogos de fichas onde a roda girava e parava sobre  figuras de animais e jogos de bozó, ou seja, jogos de dados.
A roda gigante não parava, as canoas eram disputadas pelos rapazes para ver quem chegava em maiores alturas, a fila para entrar na roda gigante ia até depois do Beco de Lindolfo e nos finais de semana, os povoados desciam em multidões para a grande atração da cidade.
Muita comida, muita bebida eram consumidas durante os dias em que o Parque Lucena, o mais famoso, o do Galego da Roda Gigante permanecia na querida Dutra. As ruas de Romaninha, de Zé de Venera e até os Canudos, eram freqüentados por dezenas de casais, que já naquele tempo, possuíam um apetite sexual tão aflorado, que depois só se ouvia dizer: “fulana se perdeu, Sicrana ta grávida, Beltrana descobriu que se perdeu hoje à tia e muitos dos autores das desonras corriam para São Paulo para fugirem ás suas responsabilidades.

O oferecimento de gravações no serviço de Alto Falante – brincadeira perigosa
E o locutor bradava: O Parque, Teatro Cacique, instalado nesta cidade, tem o prazer de avisar que impreterivelmente, só ficará nesta cidade até o próximo domingo, aproveitem não percam, brinquem, joguem, bebam, se divirtam, pois este é o parque, Teatro, Cacique.
Neste tempo, Célia de Quilôr estava no auge, a moça mais linda da cidade e choviam oferecimentos de gravações e o locutor enfeitava, empostava a voz grave e ecoava: “Atenção e muita atenção Célia de Quilõr, aceite esta gravação que um alguém lhe oferece, como prova de amor e carinho! Assina MMS”. A música preferida da época era “Você não me ensinou a te esquecer”, de Fernando Mendes e logo depois mais uma música era oferecida, agora de um inimigo para outro, me lembro de Onésimo que era inimigo do Soldado Titirâne e o locutor malicioso caprichava: Atenção e muita atenção Soldado Titirâne, aceite esta gravação que alguém lhe oferece como prova de amizade e consideração, assina: Seu amigo Onésio” e nossa atmosfera pura e limpa vibrava no ar: Recordações, fazem chorar, recordações, não vou guardar, também do ídolo Fernando Mendes.
Nuse, Sonete, Marlene de Chicão, Marli de Anizinho, Maria Neiva, Nilzete de Minha Tia Ana, também eram vítimas dessas brincadeiras, e as músicas preferidas eram: Vou tirar você deste lugar, a noite mais linda do mundo, Não se vá e outras que marcaram de forma indelével essa geração.
Mas essas brincadeiras por vezes se tornavam sérias, Quilôr certa feita encheu a paciência e queria dar uma pisa no locutor, o mesmo ocorrendo com Onésimo e Titirâne.

Os cinemas dos turcos
Naquela época, anos 70, de vez em quando aportava nas terras presidentinas os Turcos com seus cinemas, eram mulheres profundamente belas e agudamente elegantes, vestiam elaborados vestidos longos, bem bordados e cortados com muita arte. Chegavam em carros potentes, com trailers bem mobiliados e com empanadas de primeira linha e os filmes eram projetados debaixo dessas ricas empanadas.
Os turcos traziam consigo aves raras, todas mansas, me lembro dos seus pavões, gansos dentre outras.
Eles ficavam instalados aí na Rua de Romaninha, em frente às casas de Pedrão de Cândida e Dodô, pai de Dôdozinho e eram a sensação da cidade que ficava em rebuliço, os filmes desse tempo ou era faroeste ou Tarzan com Chita, todos sabiam de cor os roteiros desses filmes, a exemplo de A Lenda de um Bandido, O Xerife da Fronteira, etc.
Essas pessoas também eram exímias na fundição do cobre e tanto fabricavam e vendiam tachos de cobre como também os da população local que estavam furados, sempre com esmero, os remendos eram bem trabalhados.
Eles falavam um dialeto, ninguém sabe ao certo de onde eram originários esses supostos turcos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.