domingo, 27 de julho de 2014

PRESIDENTE DUTRA, ISTO, AQUILO O OUTRO.


TORTURAS NA MINHA TERRA NUNCA PUNIDAS E NEM REPARADAS
Este assunto ainda é Tabu na minha querida Dutra, ele ainda é proibido, as pessoas ainda tem profundo medo de abordá-lo, de comentá-lo, só à boca miúda e muito reservadamente ele é tratado, mas hoje trago-o à baila e se alguém por acaso se incomodar com o assunto, não é interesse nosso aqui assacar calúnias ou cavilações contra qualquer pessoa, apenas anotar fatos históricos da nossa terra e a isto não fugiremos, se alguém pretender judicializar a questão,uma vez que daremos nomes aos personagens, será uma grande oportunidade para passarmos essa terrível página à limpo.
A TORTURA DE JUAREZ E ANTONIO BORÉS
Eram os anos 70 na nossa arcaica e incivilizada Presidente Dutra. A sua autoridade maior era um Sargento de Polícia que mais parecia um bloco de gelo, nunca sorriu para nenhum cristão e tratava a todos com formalidade própria de quem exigia reciprocidade, era o temido Sargento Pacheco, hoje com certeza na inatividade, reformado sem dúvida alguma no Posto de Tenente ou Capitão, se vivo, curte sua aposentadoria em algum lugar aprazível do nosso Estado.
Pois bem, a primeira loja de roupas que vendia como água em toda região era dos filhos de Lia Barreto, os sócios eram Valter, Euvaldo, Zé e Dilton, eles viajavam para São Paulo e traziam camisas pólos, calças jeans e sapatos de todas as marcas e modelos.
Certo dia, arrombaram a loja pelo telhado, bem aí na Praça do Comércio, na esquina da Rua onde morava o Velho Arlindo, João de Cândida, Firmição e Meu Padrinho André, além de Gildásio Raposa e levaram grande quantidade de confecções e calçados, tal furto e subtração de mercadorias era o assunto de todas as esquinas da feira e da cidade.


AS INVESTIGAÇÕES E O SUPLÍCIO DE JUAREZ
Como suspeito imediato foi aprisionado sem qualquer ordem judicial Antonio de Sabina, conhecido pelo apelido de Antonio Borés, um Presidentino perturbado mentalmente, que praticava furtos de galinha e era inofensivo e segundo o comentário geral, não tivemos acesso ainda a documentos, mas pedimos à Comarca de Central uma cópia, conforme solicitação efetivada via ofício àquele juízo de cópia do processo, foi levado para a Cadeia Pública da cidade de Central, sede da Comarca e lá torturado de forma impiedosa e acima de tudo agudamente covarde, todo torturador é um frustrado, desprezível e medroso poltrão.
Segundo os comentários que ressoaram em toda o território da Dutra e além fronteiras, devido aos aflitivos tormentos impingidos pelo Sargento Pacheco e sua imfame equipe, Antonio Borés findou por acusar Juarez, irmão de Manoel Soldado, pai de Juazinho e Cambota de ser o autor intelectual do crime acima noticiado e este também foi preso sem ordem judicial pelo Sargento Pacheco, o qual, sem dó e sem compaixão, de forma desprezível e vil, submeteu Juarez a todos os abjetos suplícios, dizem que Juarez teve suas unhas arrancadas, sofreu centenas de choques elétricos além de severos espancamentos e bolos de palmatória, mas de forma heróica resistiu a todo martírio e em momento algum confessou o que Pacheco lhe obrigava debaixo da ignóbil sevícia, o que fazia aumentar o ódio e a ira de Pacheco. Juarez era valente, além de extremamente honesto e trabalhador.
Juarez livre se suicida em Salvador
Após me tornar um militante de direitos humanos, passei a conhecer e estudar os torturados, a maioria perde o juízo, nunca mais são os mesmos, mesmo acompanhados de psiquiatra e psicólogos, nunca mais voltam ao normal, são almas permanentemente atormentadas e isto aconteceu com Juarez, após solto, devido a intervenção de um Capitão da Marinha, amigo de Osmazão, Manoel Soldado seu irmão o levou para Salvador, onde cometeu suicídio no interior de um apartamento de propriedade de Manoel, seu irmão, que lutou de forma destemida e vertical contra a desgraça que abatera sobre o seu irmão querido.
Juarez deixou órfãos três filhos e uma viúva, os quais, mesmo abatidos e marcados pelos sofrimentos indescritíveis, tiveram forças e tocaram a vida para a frente, demonstrando firmeza, honradez e grandeza de atitudes, honrando a memória do seu pai e esposo, uma pessoa que era admirada e querida por todos no nosso sofrido torrão.
A luta do irmão Manoel Soldado
Me recordo de Manoel Soldado, era uma pessoa simples mas lutou bravamente em defesa da liberdade e da honra do irmão, infelizmente, na época, não tínhamos nenhuma pessoa que pudesse orientá-lo a perseguir justiça, a postular por escrito uma reparação e uma punição para os culpados, todavia, como o crime de tortura não prescreve e existem várias comissões da verdade instauradas nos Estados, estamos encaminhando à Comissão de Tortura do Estado da Bahia a notícia dessa atrocidade, para que se possa ter a devida reparação. É isto que podemos fazer como filho da Dutra, para que outros irmãos não caiam por terra por mãos retintas do sangue de inocentes, como é o caso de Juarez de Manoel Soldado.
E aqui não tememos nenhuma reação ou ação de quem se achar inocente, estamos prontos para responder a quem se acusar por conta deste anêmico escrito, no entanto, pedimos todas a s escusas à família, pois a lembrança dessa infâmia contra um parente, sabemos que é revitimizá-los, mas a história nos ensina, que enquanto a impunidade pairar sobre os sórdidos e infames torturadores, os corpos das suas vítimas permanecerão insepultos., clamando por justiça.
Semana que vem falaremos sobre a tortura e morde de Jonas, irmão de Dêde e dos seus algozes ainda impunes.
Meus abraços de hoje vão para: Dé e Tereza de Jeová, Herminho, Louro e Genésia, Moacir Caroba, Admeário, Raul de Benigno, Pedro de Felismina, Antonio e Osvaldo de Sinésio, Iranete, Pedromiro de Jovita, Nozão, Jurí, Antonio de Chicão, Nacó e Nildinha e para toda a população da minha querida Dutra.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

FLORES PARA VOCÊ – SÓ ISTO PODEMOS TE OFERECER REBECCA


No ano de 1996, na querida cidade João Pessoa, nascia uma mimosa flor e os pais tomados de alegria e intenso orgulho, a batizaram com o nome de REBECCA, possivelmente em homenagem a progenitora de Jacó e Esaú, também considerada no seu tempo, mulher de rara beleza.
REBECCA é um nome forte, cheio, vigoroso e vem do hebraico RIBHQAH, que significa união, ligação. Na Bíblia, lá no livro inicial, o de Gênesis, era a mãe de Jacó e de Esaú, considerada uma mulher estonteantemente linda e por associação a essa mulher, o nome REBECCA passou a também significar “mulher com uma beleza que cativa ou prende o outro”.
Pois bem, essa flor que nasceu para brilhar, no dia 11 do mês de julho do ano de 2011, dentro de um matagal, na Praia de Jacarapé, tombou inerte sobre terreno arenoso, por mãos de sicários assassinos, que antes de destruírem a sua existência, ainda a estupraram de forma selvagem, perversa e sádica, uma vez que os brutais celerados, além de conjunção carnal, ainda a violaram em todas as partes do seu corpo sacro e virgem, inocente e indefeso.
Após três anos, é, hoje completou 03 anos do seu calvário, da sua eliminação física e como alma penada, aquela que lhe botou no mundo, sofrida e alquebrada por uma procissão de decepções amargadas em busca dos desvelamento dos autores da sua morte, da espiação desses abjetos carrascos, os quais precisam ser julgados, responsabilizados e sentenciados pela prática de uma das mais plangentes e assombrosas ocorrências criminais já registradas em nosso Estado, se encontra dramaticamente doente, não é mais aquela mulher que emprestava saúde, vive à base de remédios controlados.
Desde os primeiros momentos a mídia da nossa terra, em manchetes criativas e comoventes, carregadas de uma intensa simbologia funérea e de tormento, as quais impactavam a opinião pública da Paraíba, me lembro bem de uma delas: Mãe chora a morte de Rebecca Cristina e diz: “A vida não tem mais sentido”, mas que infelizmente não tiveram o talento e aptidão suficientes para despertarem no Estado Leviatã o esperado sentimento, de que esse infortúnio deveria ser apurado.
Hobbes já proclamava que o Estado é um Leviatã, um gigante que pode tudo, que possui toda a autoridade, todo o comando para desvendar qualquer atrocidade registrada em seu território, e mais ainda, quando se trata de uma ação criminosa, abjeta e covarde perpetrada por celerados execráveis e de categoria inferior, mas como dito, sua genitora, como uma alma penada, já perambulou, esmolou, rogou providências em todos os corredores dos órgãos de segurança pública, mas seus lamento de que a vida não tem mais sentido, não tocou os corações daqueles que por dever de ofício, deveriam aliviar a sua dor, tão grande dor, o Leviatã que pode tudo, foi vencido por foras da lei de categoria inferior.
Rebbeca Cristina, vamos permanecer a postos e de forma vertical e desassombrada, continuar na trincheira da cobrança junto ao leviatã paraibano, a apuração que o caso requer, mesmo que tenhamos que enfrentá-lo, com todo o seu poderio para responder e tentar desacreditar quem lhes enfrenta, mas com pernas de barro, olhos de vidro e cabeça oca, para trazer ao conhecimento dos seus conterrâneos, os nomes daqueles que lhes infligiram as mais doídas violências e os mais dolorosos suplícios, ao roubaram o seu bem mais precioso: a sua vida., que se encontrava nos seus mais verdes anos, aqueles em que tudo é sonhos.
Mulher virtuosa e menina imaculada, como a Secretaria de Segurança Pública que é parte do corpo do Leviatã que tudo pode não se sensibilizou como devia nesses três anos do seu passamento agonizante, só temos a te oferecer flores e o compromisso de não desistir jamais, pois é isto que o Leviatã de pernas de argila quer, que todos nós nos esqueçamos de você.
Lixo no Japão
A imprensa nacional destacou o comportamento da torcida japonesa, que recolheu o lixo por eles produzido após o jogo, citando o fato como exemplo. Se conhecessem o Japão, não ficariam tão surpresos. A concepção de lixo no Japão é completamente diferente da ocidental, principalmente da brasileira: lá, lixo em lugares públicos é um assunto pessoal: cada um cuida do seu. Aqui, é problema do governo. O Japão não aceita trazer estrangeiros para cuidar de serviços que ninguém quer fazer; assim, o poder público, no máximo, recolhe o lixo nas casas. O resto é por conta do cidadão. Não se vê lixeiras nas ruas e praças no Japão, uma queixa comum dos turistas estrangeiros no Tripadvisor. Nunca vi ninguém varrendo rua, nem mesmo uma máquina, comum em outros países desenvolvidos. Uma turista indiana reclamou porque foi impedida de jogar uma garrafa de plástico em uma lixeira de um quiosque: aquela lixeira era só para o consumo do quiosque. Se alguém compra um salgado e quer sair andando, logo é avisado – tem que comer ali, jogar o lixo naquela cesta, e só depois continuar o passeio. No metrô e ao lado das vending machines há apenas um recipiente para garrafas plásticas usadas. Nos estádios e lugares de diversão, todo mundo faz o que a torcida japonesa fez no Recife: recolhe e leva às lixeiras, não antes de separar devidamente plásticos, papel, orgânicos, etc. No Brasil, já vi gente racionalizar até o ato estúpido de jogar lixo na rua, dizendo que os varredores precisam de trabalho. Mal imagina o cabeça-de-vento que o custo daquela varrição sairá dos impostos que ele paga, e que poderiam estar sendo utilizados para dar educação, saúde, um futuro melhor para aquele varredor, e mais segurança pública para todos. O Brasil se gaba de reciclar quase todo o alumínio, mas este índice é mais uma vergonha, porque é alcançado devido a miseráveis que adoecem revirando imundícies para extrair as latinhas. O Japão recicla praticamente tudo, e ninguém revira lixões: o próprio cidadão separa tudo. No Brasil a coleta seletiva é uma enganação – pessoas conscienciosas dividem os plásticos, papéis, vidros, apenas para o caminhão de lixo misturar tudo de novo. Até na má educação patenteiam-se as diferenças culturais. No Brasil, o malcriado que quer se livrar de uma garrafa plástica ou latinha a atira o mais longe possível, para que fique ali poluindo por milênios, talvez. O japonês mal educado, quando não está sendo observado, abandona sua latinha, copo de papel ou garrafa perfeitamente em pé, em um lugar visível, como um banheiro público (que por sinal não tem lixeira também), em um apelo envergonhado e silencioso para que alguma alma caridosa recolha aquilo. Próximo a uma área boêmia, um desses, aproveitando-se da escuridão, deixou uma garrafinha de plástico, em pé, no muro de uma vendinha. No dia seguinte o dono da venda pregou a garrafinha ao muro com fita adesiva, em uma resposta eloquente e silenciosa: vai ficar aqui até você voltar e recolher.