domingo, 23 de fevereiro de 2014



CASO REBBECA SERÁ LEVADO AO CDDPH
Num Estado da Federação em que o seu Governador homenageia em palácio  policiais que conduziram uma investigação sem rumo, excluindo as principais linhas que chegariam ao deslinde da ocorrência criminosa de forma célere, só chegando à conclusão por esforço próprio de um pai sofrido e abalado, num golpe de pura sorte, mas tardio, como foi no caso Fernanda Ellen, cremos que somente para desacreditar militantes de Direitos Humanos que cobravam posições firmes na investigação e condução do caso, tudo pode acontecer, inclusive o arquivamento de dezenas de inquéritos por parte do judiciário e a pedido do Ministério Público, que após dois, três, quatro e até mais anos, desistem de enviar esses procedimentos policiais às delegacias e novamente receberem da forma que mandaram e na maioria esmagadora, sem nenhuma diligência efetivada e sem o esclarecimento da autoria.
Nesta verdadeira procissão de homicídios sem autores, onde facínoras da mais profunda periculosidade desfilam sem nenhum temor de serem apontados, temos um dos piores assassinatos, o de REBECCA CRISTINA, encontrada morta no dia 11 do mês de julho do ano de 2011, na Praia de Jacarapé, nesta capital.
Rebecca contava apenas com 15 anos de idade e estudava no Colégio Militar e os seus algozes, podem está encastelados dentro da Polícia Militar do Estado, mas as coisas não andam, pelo caso já passaram 07 (sete), isto mesmo, sete autoridades policiais, mas, sem que ninguém entenda, quando as coisas começam a avançar, o titular é trocado e outro delegado novamente assume.
Essa rotatividade inexplicável mantém os autores da barbaridade abjeta praticada contra Rebecca impunes. Sua mãe hoje mendiga uma palavra de solidariedade, já que sua vida também se acabou, é um poço de decepção com a Polícia Judiciária Paraibana, seu descrédito com as instituições é patente e cristalino, além do sofrimento físico, emocional e psicológico, pois é uma mulher inteiramente deprimida, vive ás custas de remédios tarja preta, sua família se desfez, sem emprego, vaga como um fantasma atrás de quem escute a sua história infeliz, seu desamparo é cristalino, sem nenhum socorro do Governo Estadual.
E ela, ouvida pelo Conselho Estadual dos Direitos Humanos - CEDHPB, o qual já fez inúmeros apelos sem respostas aos “mandarins” da segurança,  foi também escutada pelo Deputado Luiz Couto, um baluarte na defesa dos direitos humanos na Paraíba, de forma que juntos,  resolvemos unir esforços e levar o fato criminoso ao CONSELHO NACIONAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA – CDDPH, para em alto e bom som, cobrarmos nacionalmente das autoridades responsáveis, o desfecho desse abominável episódio, já que na Paraíba, os que deviam solucionar o sucedido, demonstram-se indelevelmente incompetentes.
Os bandidos que estupraram e mataram Rebecca, tem que ser apontados à população, esse é um dever ético e moral do Governo do Estado e do Secretário  de Segurança Pública, responsável pelo fechamento de 33 delegacias, um crime contra a humanidade,  nem que sejam bandidos que ostentem o uniforme da respeitável Polícia Militar Paraíbana e que fizeram com que os sonhos daquele doce anjo ficassem pelos caminhos.
Marinho Mendes Machado


PRESIDENTE DUTRA, ISTO, AQUILO O OUTRO
 
Os caixões de defuntos

Nos meus verdes, “dourados” e sofridos anos da Dutra, não existia ainda uma loja funerária para vender ataúdes e quem atendia a demanda era o Oficial de Marcenaria  Antonio Pequeno e seu grande auxiliar, o já meio oficial Bógue, filho de Dona Chiquinha e Seu Raulinho (Quipão), mas tudo era feito de forma muito amadora, Antonio Pequeno e seu ajudante gostavam mesmo eram de fabricar  móveis, principalmente para dezenas de noivos da cidade e região que encomendava a cama, o moringueiro, o guarda louça, a mesa e as cadeiras
Recordo-me, pois morávamos relativamente perto de Antonio Pequeno, quando ouvíamos o ribombar das marteladas em horas mortas da madrugada ou em horário avançado da noite, era sinal que alguém da Dutra havia passado para o outro plano, como se diz lá: “viajou para a cidade dos Pés Juntos), já que os golpes de martelo que varavam a noite, comunicavam  a todos nós, que Antonio Pequeno e Derme, esse é o nome de Bógue, irmão de Amarildo, estavam fabricando uma urna funerária para  um conterrâneo cuja existência havia sido extinta e nesse tempo, a vida falecia por diversas causas, doenças, parada cardíaca, mas nunca por homicídio, esse fenômeno era desconhecido naquelas paragens.

Os velórios

Os velórios na Dutra tinham um misto de contradição, pois nas vigílias do falecido existiam choros copiosos e verdadeiramente sentidos, mas também tínhamos sonoras gargalhadas originárias dos contadores de “causos”, piadistas e humoristas, os quais, durante todo o velamento do expirado, consumiam garrafas e mais garrafas de aguardente, pitu e serra grande eram as preferidas, enquanto as demais pessoas que iam dar seu último adeus e não bebiam, tomavam café sem parar durante toda a noite.
Mário do Velho Lourão, Torquato, Júlia Caroteira e suas filhas Biinha (Laudelina), Maria e Elvira, eram presenças obrigatórias nas lucubrações derradeiras das vidas de todos os presidentinos que deixavam o plano terrestre. Uns contavam estórias, piadas, também diziam ditados e tiradas de humor, enquanto Júlia e as filhas, ao ingerirem aguardente, iniciavam o canto mais fúnebre, mais lutuoso, mais sepulcral e até agourento que já pude ouvir e presenciar.

Os adjutórios

Os adjutórios eram verdadeiros mutirões de solidariedade do povo da Dutra e sempre aconteciam em tempos de plantação, principalmente para capinar as terras de alguém que havia adoecido e também para viúvas, cujos maridos haviam viajado para a Cidade dos Pés Juntos e o mato tomava conta das suas roças. Outros adjutórios ocorriam para construção de casas, me lembro de ter participado de vários adjutórios, seja capinando, seja fazendo barro para encher os espaços das casas de taipa de Júlia, de Mané de Júlia aí nas Barrocas, perto de João Miranda.
Era divertido, meu Compadre Lourão de Alfredo já enlevado pela pinga dizia “trabalho de menino é pouco, mas quem perde é louco” e nas capinas o povão humilde e muito bom, competia para ver quem capinava primeiro sua carreira de milho. Eu ganhei muitas dessas disputass e depois tinha o almoço feito pelas mulheres, era tudo muito bom, como era legal conviver com gente sem maldade e aquele povo ainda não estava contaminado pela cegueira do ter.

A melhor partida de futebol da Dutra de todos os tempos

A mais emocionante e sensacionalíssima partida de futebol acontecida nas plagas presidentinas foi nos anos 70, creio que em 1977, entre o arrasador e festejado Nacional de Central e o Ajax de Dr. Juan. O campo do Real de Manoel Sobrinho recebeu a maior lotação de todos os tempos, eram milhares de pessoas se espremendo em redor do  estádio sem qualquer infra-estrutura. Os jogadores e árbitros não tinham nenhuma proteção, nada os separavam da agitada e fanática torcida, puxada por Adelino, pai de João Bifinho, Laércio, Cecília e Djalma.
O nosso querido Ajax de Dr. Juan teve como técnico Manoel Sobrinho e na linha formou com Lelé (o melhor goleiro, nunca tivemos outro igual), Galêgo do Leônico de Salvador, Fábio da Grama de Uibaí,  Zequinha do Campo Formoso, Areia, Zé e Wilson de Tiotista (dois irmãos simplesmente geniais), Renatão (o nosso Roberto Dinamite), Zé de Helena (um filho de Central criado em Xique-Xique e filho de Dona Helena Minréis de Central), Aristóteles da Quixabeira e Aliomar do Galícia, cunhado de Dr, Juan.
Por sua vez, o afamado Nacional de Central entrou em campo com a seguinte escalação: Monteiro (um goleiro espetacular, invejável), Jipão, Dimas da Gameleira, Gessé, Rosalvo, Agamenon, Zé de Nita, Dazinho e Domingos do Roçadinho, Reinivaldo, Ailton, Alcione e o já veterano mas inigualável Duão.
O resultado final 2X2, foi conquistado com muita garra e extremada determinação, Aliomar era o comandante e dava força ao time do Ajax que durante toda a partida mostrou-se inferior ao time de Central e esteve sempre atrás no placar. Zé de Helena fez o gol do empate em 1X1 e Galêgo do Leônico, batendo uma falta, fez o gol do histórico empate. Eu tava lá, atrás do gol de Monteiro, a falta foi batida com muita técnica e Galêgo do Leônico fez a bola passar sobre a barreira e entrar no canto esquerdo do gol do grande goleiro, pois era uma bola indefensável, o arco defendido por Monteiro é o debaixo, do lado da entrada do campo, portanto, o lado esquerdo fica para as roças, tenho que detalhar, pois é história pura e sou testemunha do fato.

Meus abraços: 

Hoje mando fraternos e calorosos abraços para Goleiro e Pedro de Antonio Pequeno, Marino, e os irmãos Miguel, Pedro, Nercina, Cassimiro e Regina de Odilonzinho, Neguim de Antonio de Jovita, Edmário de João de Franco, Zé Pedro, Maria Núncia, Ratinho, Didi de Colinha, Paulo Novaes, Professor William, Zé e Osvaldo de Sinésio, Rosalia, Olga de Zé Pedro, Meu padrinho Arsênio e minha madrinha Neuza do saúdo padrinho André, Renê, Davizinho, Antonio Jacú, Raul Miranda, Dr. Ivan Carlos, Raffa Alecrim, Geovazão, Juarezinho, Quinca e Valmir meus primos, Miguel, Vilson, Genário, Ildebrando, Daladier, Pedro, José, Gedeon, Roberval, Olindina e Maria de Lourdes, meus queridos irmãos, Uelder Almeida e Anfilófio Filho, pessoas a quem devoto a minha mais sublime admiração.

'ALGUNS FATOS' - Leia o novo artigo da Coluna de Padre Bosco


Alguns Fatos

O fato foi publicado nos meios de comunicação. Um médico do programa mais médicos foi denunciado. Qual o crime? Um atendimento de emergência onde o responsável para aquele serviço não estava presente ou não havia chegado.

Realmente é muito difícil de se compreender. Normalmente se vê casos de omissão, isto é, onde não se presta o socorro. Como entender que diante de alguma situação de doença, um médico não poder atender? Como é possível que alguém sofra punição por fazer o bem, socorrer uma vida?

Essa situação faz lembrar o grande conflito que aparece nos evangelhos entre Jesus e os fariseus e escribas. Para eles o absoluto era o cumprimento da Lei do sábado em detrimento da vida do ser humano. A pessoa humana podia morrer sem o socorro para salvaguardar o dia de sábado. Por incrível que pareça, é esta mesma situação que se repete: a lei passa a ser mais importante do que a saúde e a vida das pessoas. A lei nesse aspecto é realmente a desgraça da nossa vida quando a lei deveria existir para ser sempre a favor da vida. Por isso que Jesus no seu tempo coloca a vida acima da lei e recomenda o seu descumprimento quando ela existe para prejudicar e destruir a vida do ser humano.

Também está na mídia a cada momento a violência que cresce de forma assustadora. Um rapaz foi amarrado a um poste, um negro, um adolescente. O SBT Brasil fez a apologia ao crime. Tratou o adolescente da forma mais desrespeitosa e depreciativa possível. Fez o seu julgamento, o tratou como marginal, Fez um ataque aos Movimentos de Direitos Humanos em nome da Democracia e da liberdade de expressão. Quanta hipocrisia!!! Que vergonha!!! A Mídia prestando um desserviço à sociedade, ao Brasil e aos pobres e negros desse país. Ainda dizem que todos somos iguais e que não há discriminação e racismo no Brasil.

A realidade de dois mundos é alimentada a cada momento e em todas as situações em nossas relações. Quem tem nome, título, influencia, prestigio, tem um tipo de tratamento e de atendimento. Quem não tem passa por outro tratamento. Quando não sou identificado como padre me dão um tratamento; na hora que me identificam muda o tratamento na mesma hora.

Quando se prende uma pessoa que tem nome, o seu nome não é anunciado. Se tem a notícia mas não se sabe de quem se trata. Algumas vezes o nome é revelado depois. Um pobre e negro, na hora em que é preso, não só o nome é anunciado mas a imagem é posta no ar de imediato e a pessoa é obrigada a expor o seu rosto.

Esses dois fatos carregam consigo o total desrespeito para com o ser humano doente e que vive na delinquência e marginalização, duas situações que o ser humano não escolhe. A doença chega e a marginalização é imposta pela nossa sociedade que segrega o ser humano impondo-lhe uma condição de marginalização.

Setores da imprensa a serviço dos que dominam e eliminam os outros, em nome da liberdade de expressão querem tiram a liberdade e até o direito de viver dos mais fracos e abatidos.


Por Padre Bosco
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos
Membro da Pastoral Carcerária
*Colunista do Blog Mari Fuxico


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