sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


CEDHPB NA IMPRENSA




Protejam a Ouvidora!

Faço um apelo ao governador Ricardo Coutinho e ao secretário Cláudio Lima (Segurança Pública) para que mobilizem todas as forças, recursos e meios necessários e adequados à proteção da integridade física e da vida da Doutora Valdênia Lanfranchi, Ouvidora de Polícia do Estado.
Quem acompanha o trabalho dessa Ouvidoria sabe que nunca antes na história da Paraíba a boa cidadania e a governança possível jamais dispuseram de instrumento tão efetivo de combate aos maus policiais e suas práticas criminosas e covardes contra vítimas indefesas e vulneráveis.
A eficiência e eficácia da Ouvidoria existem na razão direta da postura aguerrida e combativa da Ouvidora, que não apenas acolhe como verbaliza as denúncias que entende cabíveis contra aqueles que cometem crimes, associam-se ou protegem bandos organizados que usam fardas e distintivos como disfarce ou escudo.
Diante disso, espero e torço fervorosamente para que este meu apelo seja desnecessário e, mais ainda, para que as medidas de proteção a Doutora Valdênia já tenham sido tomadas pelo Governo do Estado.
Se não forem por outro motivo, que o sejam como prova da disposição governamental de apoiar firmemente a legalidade e a moralidade da ação policial e de enfrentar - como a Ouvidora enfrenta - a bandidagem por desventura ainda positiva e operante dentro da Polícia do Estado.
Saibam que este apelo, ainda que tardio, reflete uma preocupação não apenas do colunista, mas também de personalidades e segmentos representativos da sociedade paraibana que acreditam na honestidade da grande maioria dos homens e mulheres de nossas polícias, confiança essa certamente compartilhada pela própria Valdênia.
Todavia, da mesma forma essas mesmas pessoas sabem que facínoras travestidos de policiais mantêm-se ativos no cometimento de delitos variados, que vão desde a corrupção miúda da propina que cobram e recebem aos assassinatos consumados por encomenda do tráfico.

CEDH reforça denúncias
O destemido Promotor de Justiça Marinho Mendes distribuiu nota no final de semana antecipando que o Conselho Estadual dos Direitos Humanos (CEDH) “reforçará as denúncias formuladas pela Ouvidora das Polícias Valdênia Lanfranchi, para que ela não se torne um alvo único da ira de policiais envolvidos com o crime”.
Ele lembra que a atitude do Conselho mira também a investigação do chamado Povo (Policiamento de Vigilância Ostensiva), “onde todo o policiamento, a certa hora da tarde de todos os dias, é deslocado para frente de grandes empreendimentos comerciais e bancários”.
MM cobra ainda esclarecimentos sobre o ‘Linha Direta’, um serviço que seria pago por comerciantes interessados em contar com proteção e vigilância exclusivas fornecidas por PMs através do ‘POR’ (Policiamento Ostensivo Remunerado).
Segundo o Doutor Marinho, “apenas apadrinhados de determinados comandantes são escalados para tal serviço, assim como coronéis percebem quase R$ 600 por um trabalho do qual não participam, mas ainda assim são remunerados”.
O Promotor de Justiça, conselheiro do CEDH, diz ainda concordar integralmente com as críticas da Ouvidora “no sentido de que as corregedorias de Polícia não funcionam e comandantes chegam a desdenhar do próprio governo”.
Entre os que desdenham, Doutor Marinho cita o Comandante Geral dos Bombeiros, que nomeou para o cargo de Corregedor um coronel que responde a processo por desvio de dinheiro “no famoso caso do Funesbom”.

O feito à Ordem
O Professor Arael Costa lamenta que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não esteja empenhada na defesa das prerrogativas do Ministério Público de investigar crimes de toda sorte e ordem.
Ele revela que recentemente leu com alegria a notícia segundo a qual a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) “veio a público defender o Ministério Público da ameaça que paira sobre procuradores e promotores de retirada de suas prerrogativas investigatórias”.
Mas, para a sua tristeza, também constatou que a entidade da qual a sociedade esperava a liderança de campanha dessa natureza, “a OAB de tantos posicionamentos memoráveis, tem se omitido nesse assunto, com um comportamento que a muitos lembra a máxima popular de que quem cala, consente”.
“Nos tempos em que vivemos não se estranha essa proposição castradora, principalmente se considerarmos que tem sido esse órgão (o MP) o grande responsável pelas revelações das muitas estripulias que têm sido praticadas pelos nossos políticos (Mensalão, Operação Porto Seguro etc.)”.
Arael entende que, não fosse o vigilante MP, as tais estripulias poderiam ter sido abafadas ou minimizadas pelas forças policiais, “sujeitas, como bem sabemos, ao Executivo e a outros humores políticos bastante envolvidos com esses fatos e eventos”.
Fechando, manifesta sua expectativa e fundada esperança de que “passados os festejos momescos, a nossa entidade reassuma o lugar e a posição que de direito lhe pertencem, chame o feito à Ordem e bote o bloco na rua”.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Deputado Luiz Couto elogia trabalho da ouvidora de polícia da Paraíba

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Deputado Luiz Couto elogia trabalho da ouvidora de polícia da Paraíba
O deputado Luiz Couto (PT) fez elogios, do plenário da Câmara Federal, à ouvidora de polícia da Paraíba, Valdênia Aparecida Paulino Lanfranchi, que recentemente apresentou relatório citando o envolvimento de 178 policiais em casos de tortura, corrupção, execuções semárias, abuso de autoridade, deficiência no serviço, abordagem truculenta e mau atendimento.

“Somente no segundo semestre do ano passado a Ouvidoria de Polícia da Secretaria da Segurança e da Defesa Social do Estado recebeu 131 denúncias. Parabenizo a Dra. Valdênia pelo belo trabalho. Isto significa que o que é escutado pela Ouvidoria está sendo levado ao conhecimento da população e das autoridades”.

Luiz Couto ressaltou que a violência doméstica praticada também por policiais, que deveriam garantir a segurança da população, é a que mais preocupa. “Ou seja, a brutalidade vai para fora porque começa na própria relação familiar”.

“A exposição da Dra. Valdênia pede às autoridades que enfrente esta situação de torturas, corrupção, execuções e tantos atos de violência praticados por aqueles que deveriam assegurar a ordem e a tranquilidade, mas agem desta forma”, salientou.

Couto disse ter certeza de que o governador do estado, Ricardo Coutinho, e o secretário de Segurança Pública, Cláudio Lima, estarão atuando para fazer o enfrentamento às atrocidades apontadas pela ouvidora.




Da Redação com Ascom Dep. Luiz Couto


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Blog Mari Fuxico 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Rubens Nóbrega

A coluna é basicamente uma crônica política, que se diferencia da análise política clássica por não se prender ao factual nem à ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista: rubensnobrega@uol.com.br

Mentiras do cárcere

por Rubens Nóbrega
Vejo pela primeira vez, como vi ontem em escrito irretocável, um militante da causa dos direitos humanos (Padre Bosco Nascimento, da Pastoral Carcerária) desmontar convincentemente a mentira segundo a qual uma pessoa presa custa em torno de R$ 1.200 ao cidadão de bem que sustenta com seus impostos um sistema prisional reconhecido e referenciado como um dos piores do mundo.
R$ 1.200 é o preço por cabeça, não por pessoa, eis o primeiro esclarecimento a ser feito. Significa que o governo soma todos os gastos penitenciários (manutenção, reformas, ampliações, segurança e até construção de novas unidades) e divide pelo número de encarcerados. Não inclui, portanto, apenas alimentação, como alguns obtusos, mal informados ou de má fé costumam afirmar ou induzir, principalmente quando dispõem de telas, câmeras e microfones para dizer bobagens, cometer maldades, achaques ou insultar a inteligência de quem não lhes compra a peçonha ou a palavra.
Mesmo assim, muitos deles continuam convencendo os incautos, que aderem à tese segundo a qual “bandido bom é bandido morto” (mas só se o bandido for pobre, claro) ou ao absurdo de que cumprir pena de reclusão na Paraíba seria como viver em um hotel cinco estrelas. Diante de besteiras assim, lembro no ato do poeta Lulu Santos: não desejamos mal a quase ninguém, mas adoraria ver um bacana desses hospedado em um desses ‘luxuosos’ estabelecimentos. Aí o sujeito ia ver o que é bom pra tosse!

Diga aí, Padre Bosco
“Nunca encontrei nesses 20 anos de visita a pessoas presas alguém vivendo como se estivesse em um hotel. Nunca encontrei alguém de classe média cumprindo pena. Tenho encontrado pessoas suspeitas, provisórias, aguardando a boa vontade do Estado; tenho encontrado lixo, doentes, falta de espaço, tiros, muitas balas espalhadas pelos corredores, reclamações da comida, ausência da Defensoria Publica etc.”, revela Padre Bosco em seu artigo, que tem como título ‘Quanto custa uma pessoa presa?’.
Além das condições subumanas e atrocidades características da situação em nossos presídios, atualmente cenários de rebeliões quase semanais, Padre Bosco garante que o Estado pode até receber R$ 1.200 por cada preso, mas o que gasta de fato com o apenado em si é uma miséria, porque sequer papel higiênico (epa, olha ele aí de novo!) compraria para os seus ‘hóspedes’.
“A pessoa presa não tem culpa alguma em relação a essa despesa e o que lhe chega é o mínimo possível. O Estado não fornece roupa, não fornece material higiênico... Quando alguém tem uma alimentação especial por causa da doença, a família quando próxima leva todos os dias a alimentação. Presenciei nesta semana esta realidade da alimentação por determinação judicial”, denuncia Padre Bosco.
E arremata: “A sociedade precisa ser esclarecida e não repetir o que é informado de modo incompleto pelo Estado e pela imprensa. Uma pessoa presa jamais vai receber o dinheiro gasto em nome dela. Quem imagina que a prisão é um hotel cinco estrelas, peça uma autorização ao juiz para passar um final de semana por lá na mesma condição de quem está recolhido nas celas”.

Diga aí, Ministro
Padre Bosco diz ainda uma coisa muito preocupante sobre o que se passa no interior dos cárceres do Estado. “Não existe uma prisão na Paraíba que atenda ao que recomenda a Lei de Execução Penal”, afirma. É muitíssimo grave, porque significa um conluio de omissões e prevaricações entre a Justiça que manda prender e o governo que prende e se responsabiliza por fazer valer a prisão.
Pior é o tanto de gente presa em caráter provisório pagando sentença como se fosse definitiva, como chama a atenção o ministro Gilmar Mendes, do STF, em artigo que li ontem no Consultor Jurídico (conjur.com.br). “Do total de presos no país (549 mil, até junho de 2012), 191 mil aguardam julgamento, muitas deles amontoados em unidades prisionais superlotadas e sem as mínimas condições de higiene, como se constatou nos mutirões carcerários realizados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sem contar que mais de 40 mil presos encontram-se irregularmente detidos em delegacias de polícia, muitos inclusive já sentenciados”, escreveu Sua Excelência para o Observatório Constitucional, sob o título ‘É preciso repensar o modelo cautelar no processo penal’.
Pra fechar, outro trecho interessante do Doutor Gilmar: “Os mutirões carcerários coordenados pelo CNJ demonstraram que a falência do sistema prisional não pode ser dissociada das sérias deficiências do sistema de justiça criminal. A par dos inúmeros casos de prisões provisórias com prazo alongado, sem conclusão da instrução e sem sentença de primeiro grau, dois exemplos parecem ilustrar o quadro de abuso eloquente: no Espírito Santo encontrou-se acusado preso provisoriamente há 11 anos; no Ceará, verificou-se um quadro ainda mais grave, uma pessoa presa há mais de 14 anos em caráter provisório”.

Ricardo inelegível?
A julgar pela excitação no Planeta Girassol, o Ricardo aí não é o Coutinho, mas o Marcelo, aquele que preside a Assembleia e estaria cavando a cova política do xará luxuosamente hospedado (de verdade) na Granja Santana.
A alegria girassolaica tem a ver com a notícia divulgada ontem segundo a qual Ricardo Marcelo teve as contas da campanha de 2006 reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral e, portanto, caiu na malha fina da Lei da Ficha Limpa. 
Se for verdade, o Bloco da Granja vai esticar o Carnaval até a Sexta-Feira da Paixão.