domingo, 3 de fevereiro de 2013


Quem dá Assistência às Vitimas? 

É muito comum pessoas perguntarem à Pastoral Carcerária: porque vocês não trabalham com as vitimas da violência? Não sei se as mesmas, sem nenhum julgamento, estão realmente preocupadas com as vitimas ou querem apenas que outros se preocupem. A essas pessoas devemos também perguntar: você realmente acha importante trabalhar com as vitimas? O que você escolheria: A pastoral carcerária ou as vitimas? Certamente a resposta seria pela vitimas. Então, a essas pessoas devemos responder que façam a sua parte e organizem um serviço samaritano para apoiar as vitimas que a nossa sociedade produz. É bom não esquecer que a ação mais importante diante de Deus é a solidariedade com quem precisa e não a oração sem ação. Muitos estão rezando por ai, mas não pensam no outro e em suas necessidades.

A pastoral da igreja, no seu todo tem o papel de acompanhar e apoiar todas as vítimas da violência. Acontece que não se pode fazer tudo. Por isso, na igreja existem as diversas pastorais, cada uma com a sua especificidade e seu campo de atuação.
A questão é saber de qual vitima se está falando, pois, a pessoa presa que permanece na prisão ela é vitima também de outra violência.
Na sua grande maioria, as pessoas detidas são vitimas da falta de estudo, da falta de trabalho, da falta de moradia, de saúde. Vitimas da violência domestica e de policiais. Vitimas da justiça que os esquece, e vitimas da estrutura prisional marcada por todas as formas de violência física, moral e psicológica.
A prisão existe para ajudar o ser humano a superar suas deficiências e não mais voltar a causar danos à sociedade. A prisão é para transformar quem passa por ela. Hoje essa transformação é uma deformação. É impossível que uma pessoa saia melhor do que quando entrou na prisão. Para o resto da vida, que normalmente é muito curta, ser humano será um ser doente. As marcas perversas e negativas do tempo de cadeia jamais serão esquecidas. O medo de morrer está presente a cada momento com a falta de segurança, inimigos, rebeliões, disparos frequentes, mortes. As famílias carregam o mesmo medo. Vive-se, portanto, um clima de terror.
 Só realmente conhece o sistema prisional é quem passa por ele: a pessoa presa e a família quando visita. Nada mais degradante. É comum ouvir de familiares: “meu filho é culpado, mas ele não merece o que ele está passando”. Realmente não merece, pois a prisão não é para isso. Aliás, ela não serve, a não ser para fazer aumentar a violência e as mazelas para a nossa sociedade. Ela representa o que de mais atrasado existe na sociedade que se diz moderna e avançada. Ela mantem a escravidão e a degradação da vida humana. Ela é detestável a Deus e ao Reino. Ela é ofensa a Deus. Ela é a vitimização das vitimas de todas as mazelas.
 Assim, não digam que não trabalhamos com as vitimas. É que elas são tantas que não temos como atendê-las. Foram vitimas e continuam sendo. Trabalhamos com seres humanos que a sociedade os tem como bandidos só porque lhes falta o colarinho branco. Os de colarinho branco, muitos deles agem em bando, formando quadrilhas que desviam, com classe, o nosso dinheiro e continuam sendo votados para continuarem colocando a mão no nosso bolso.

sábado, 2 de fevereiro de 2013


SDH cria comitê de combate à intolerância religiosa 

SDH cria comitê de combate à intolerância religiosa / Arqrio
Por Agência Brasil

A intolerância religiosa no país é o tema do comitê lançado na última terça-feira, dia 22 de janeiro, pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República. A iniciativa pretende promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e auxiliar na elaboração de políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião. 
O comitê terá 20 integrantes, sendo 15 deles representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa. Os outros cinco serão representantes do governo. Ainda sem data definida para começar efetivamente a funcionar, o comitê depende de um edital que selecionará os integrantes.
A portaria de lançamento do comitê foi assinada pelos ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Depois, eles participaram de um ato ecumênico com integrantes de diversas tradições religiosas, no templo da Legião da Boa Vontade (LBV) em Brasília. 
Segundo a assessora da Política de Diversidade Religiosa da SDH, Marga Janete Ströher, o edital para escolha dos integrantes deve ser lançado entre fevereiro e março. O mandato dos representantes do comitê terá duração de dois anos. De acordo com Ströher, as religiões de matriz africana são as mais atingidas pela intolerância religiosa.
— A gente tem feito um monitoramento via Disque 100 não como punição, porém, mais como advertência. Tem que ter um espaço pedagógico e também achamos que a punição vai precisar acontecer para que as pessoas aprendam que aquilo é uma violação aos direitos humanos, explicou a assessora.
Dados da SDH apontam que a quantidade de denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011. Embora signifique um aumento de 626%, a própria secretaria destaca que o salto de 15 para 109 casos registrados no período não representa a real dimensão do problema.
Para Dalila de Légua, praticante da religião Terecô, de matriz africana, o preconceito e a intolerância religiosa são vivenciados diariamente.
— Todo lugar onde você entra, se estiver com alguma indumentária que representa uma religião afro-brasileira, todos os olhares são voltados imediatamente para você. A gente se sente um bobo da corte. Esse preconceito está na cara e explícito em todo e qualquer lugar, disse Dalila.
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado na última segunda-feira, dia 21, foi instituído em 2007 pela Lei Federal 11.635, em homenagem a Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, de Salvador. A religiosa do candomblé enfartou após ver seu rosto estampado na primeira página da Folha Universal, jornal evangélico, com a manchete Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes.

Jonilda Alves Ferreira, professora

PUBLICADO EM 01/02/2013 ÀS 08:00H POR RUBENS NÓBREGA 

Descobri a existência da professora Jonilda Alves Ferreira lendo a coluna que o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, Benjamin Steinbruch, escreve na Folha de São Paulo todas às terças a cada 15 dias. Steinbruch, que mora no Rio de Janeiro, soube da existência de Jonilda depois de ler reportagem de Carlos Rydlewsk, vejam só!, na revista "Época Negócios". Antes de qualquer coisa, o caso de Jonilda, que será descrito a seguir, nos trás a sensação de que a sociedade paraibana e, por extensão, a sua imprensa, não olha pros lados, nem muito menos para sim, não manifestando interesse nem por eventos que seriam descritos pelos estatísticos como “pontos fora da curva”, ou seja, em linguagem comum, como exceção, como um dado que não confirma uma tendência. Quer um exemplo? Qual a chance de alunos de uma cidade do alto sertão da Paraíba vencerem uma olímpiada nacional de matemática? Se você tivesse que chutar, de 0 a 100 onde você localizaria essa possibilidade? Você gostaria de ver um caso desses noticiado caso ele acontecesse na Paraíba? Mas, o pior: no caso de Jonilda, nem depois de noticiada por uma revista e um jornal de circulação nacional o tema despertou interesse, a não ser de sítios e blogs sertanejos, o que eu confirmei depois de uma rápida pesquisa no velho Google.
Mas, quem é Jonilda Alves Ferreira e o que ela fez para receber essa atenção, afinal? Jonilda é professora de matemática em Paulista, cidade localizada no alto-sertão da Paraíba. Ela leciona na Escola Municipal Cândido de Assis Queiroga. Como essa professora de 44 anos foi descoberta para ser destaque na revista Época Negócios? Segundo a própria descrição do repórter Carlos Rydlewsk, enviado com um fotógrafo para Paulista: “Os estudantes do município paraibano, encravado no coração do semiárido nordestino, haviam se destacado em uma olimpíada de matemática, que mobilizou no ano passado 19,1 milhões de alunos da rede pública em todo o país. Os paulistenses conquistaram 22 prêmios. Foram cinco medalhas de ouro (um recorde para cidades desse porte), duas de prata, três de bronze e 12 menções honrosas.” Ao invés de dar destaque aos alunos e alunas vencedoras, como normalmente e não injustamente se faz, o repórter procurou o que era comum ao desempenho de todos eles.


O exemplo de Jonilda

E, em meio à aridez do clima, à secura da paisagem e à pobreza da região, tudo a fazer crer que dali não se formariam bons alunos, principalmente em matemática, surge a professora Jonilda a desmentir tudo isso, esses estereótipos que são cultivados pela grande mídia e até pelos próprios nordestinos. Jonilda prova que os nordestinos não são coitadinhos à espera de milagres ou da boa vontade de políticos e governos. No meio da seca, ela foi capaz de mostrar com seu exemplo que, mais do que “obras”, investir em educação, em boas escolas, em equipamentos, em formação e em bons salários para os professores dá mais resultado para as “vítimas” da seca do que essa obsessão oligárquica por “obras”. Não que elas não sejam importantes. Elas são pelo que podem viabilizar na mudança da face econômica, social e no bem-estar do semiárido, mas elas não vão sozinhas redimir ninguém.
Como eu disse, Jonilda é um ponto fora da curva a teimar contra uma realidade que pretende negar sua existência, ou reduzir seu efeito a uma insignificância estatística. Quantas Jonildas existem e quantas são capazes de, a partir de seu próprio esforço e de sua paixão pela docência, da dedicação pela formação dos seus alunos, transformar uma sala-de-aula, uma escola, uma cidade? Poucas. Mas, o que Jonilda prova é que isso é possível ser feito e, mais do que isso, que seus alunos são capazes de atingir a excelência do aprendizado. 
Mas, essas lições que Jonilda nos dá também com seu exemplo não podem ser universalizadas para todo o país sem um comprometimento, não apenas do poder público, mas de toda sociedade. E nós temos diante de nós uma grande oportunidade que foi gestada debaixo dos nossos pés: investir 100% dos recursos do Pré-Sal em educação, como defende o Ministro da Educação, Aloísio Mercadante. Isso, por si só, permitiria que o Brasil atingisse a meta de investir 10% do PIB em educação e se tornar o país que mais investe no setor no mundo. É disso que o Brasil e todos nós precisamos para que pessoas como Jonilda Alves Ferreira e um dos seus alunos, Wanderson Ferreira de Almeida, bicampeão nacional em matemática, deixem de ser “pontos fora da curva”, exceções à regra, para se tornarem maioria.



RC e os professores

Tenho certeza que a expectativa da ampla maioria dos professores era de que o histórico de desprezo dos últimos governos estaduais pela categoria finalmente ganhasse forma de uma política consistente de valorização, especialmente salarial, quando Ricardo Coutinho assumisse o governo. Não é isso que se verifica e, em muitos aspectos, o governo RC é acusado de retrocesso, como no caso dos planos de carreira dos professores estaduais e nas negociações de reajuste, quando sequer são consultados. Visitei as páginas das duas entidades representativas da categoria (Sintep e APLP) e o que lá verifiquei são críticas e lamúrias contra o atual governador, muito mais preocupado com a inauguração de obras e, obviamente, com sua reeleição. Para quem assumiu prometendo mudança, é o caso de procurá-las para sabermos onde essas mudanças se esconderam. Quanto a mim, continuo procurando, procurando... 
Quem sabe até 2014 eu ache alguma.