domingo, 4 de setembro de 2011

• Os reis do futebol na minha terra, se parecem com os reis de Jacaraú‏

Meus prezados leitores

Como todos já sabem, sou baiano e nasci numa cidadezinha, lá onde o vento faz a curva, chamada Presidente Dutra, muito parecida com Jacaraú, o povo é excepcional, bondoso de verdade.

No meu tempo, os times mais famosos eram: O Real de Mané Sobrinho, o Ajax de Dr. Juan, um médico paraguaio apaixonado por futebol que por ali baixou, não se sabe por qual motivo, o Botafogo de Ginú de Dominga Preta, o Flamendo do Sapecado, só para falar nos mais conhecidos.


Os jogos sempre aconteciam nos dias de domingo, no Campo do Real, saída para os Cambuís, final da Rua do Folga, onde mora maninho Bago Mole, irmão de Nondas, o maior jogador de sinuca e goleiro nas horas vagas.


O campo era cercado de avelóz e quiabento, uma planta cheia de espinhos perigosos, que entrevavam as juntas das pessoas, sejam de idosos ou de infantes, o espinho de quiabento é remoso e aleija qualquer um, porém, mesmo assim, como não tínhamos dinheiro para pagar a entrada e como com o porteiro Nilson de Martinha de Zé de Quelemente, irmão de Jânio, grande jogador, não tinha boquinha não, nos aventurávamos e reabríamos buracos nas cercas de avelóz e quiabento e caíamos dentro do Estádio do Real Futebol Clube, um poeirão de dar gosto.


Mas apesar das espinhadas de quiabento e do leite de avelóz nos braços e ás vezes no olhos, valia à pena ver Zequinha do Campo Formoso (o melhor ponta direita), Renatão (centroavante), Quinquinha de Uibaí, Oldegar, o popular Areia, grande zagueirão, Vagner do Caldeirão, os irmãos Aristóteles, Peu e Chato baterem times famosos, a exemplo do Fluminense de Irecê e Nacional de Central, era campo abarrotado.


No Ajax jogavam quase os mesmos atletas, pois Mané Sobrinho acabou o Real por certo tempo, mas me lembro muito bem dos fenômenos, ali sim eram fenômenos (desperdiçados) Zé e Wilson de Tiotista, Ratinho, esses caras simplesmente brincavam com a bola.


O Botafogo de Ginú de Dominga Preta, formava com João e Carlão de Zoró, zagueiros imbatíveis, Neguinho de Léquis, um ponta esquerda esforçado e fuçador, que dava trabalho às equipes adversárias, mas tinha Élio e Ferreti de Alcebíades, Élio habilidoso e Ferreti nem tanto, se destacava mais pela indisciplina, era brigão demais e em quase todos os espetáculos era expulso, mas levava um adversário com ele.


Os goleiros que fizeram fama em Presidente Dutra foram Lelé, dono de um estilo encantador, foi a paixão de Dr. Juan, Nenem Padeiro e Muquiado de Amália, todos arqueiros de primeira linha, que poderiam muito bem terem se profissionalizado.


Dos árbitros me recordo de Miro de Zé Nedino, meu imorredouro Professor Caiano (um abraço prá você), Gileno de Chicão, os quais, sempre incompreendidos por torcedores exaltados, às vezes eram até agredidos injustamente.


Pedro Sarninha, o meu querido Pedro Oliveira, era um show à parte, levava para o campo um alto-falante (uma boca de ferro), uma única, sem qualquer amplificador e transmitia o jogo e me lembro muito bem de um time da cidade de Lapão que tinha um goleiro cujo apelido era "Belos Olhos", mas o arqueirão não gostava de tal epíteto, contudo, mesmo assim Pedro Sarninha fazia questão de ecoar o bordão: "Sobe Belos Olhos e Segura com Firmeza" e com a derrota do Lapão, no final, "Belo Olhos" foi tirar satisfação com o nosso narrador esportivo, mas a torcida intercedeu e "Belo Olhos" quase perdia novamente.


Como lá, aqui também existem grandes equipes, a exemplo do Força Jovem, o confiança, o Boa Vista, o LG e a torcida vibra com o velho e sempre jovem esporte das multidões, o FUTEBOL.


Um abraço Presidentinos e Jacarauenses, ambos praticantes e torcedores apaixonados.

• A blindagem de Marinho Mendes - Publicado pela Promotora Rosane no Foro permanente do Ministério Público

Caríssimo Marinho,

Sua coragem e luta incessantes na defesa dos excluídos, da justiça e da cidadania plena não é inglória, nem desapercebida. Ao contrário, é digna e serve de modelo.

Você é um homem e um Promotor de Justiça de envergadura com traços de caráter e comportamento singulares, sem a pretensão da perfeição. Sua honestidade, humildade, sensibilidade social e senso de justiça são incomparáveis. Você tem sido SAL e lUZ por onde andou em respeito ao mandamento bíblico. Nisto está sua armadura e fortaleza.

Seus ricos testemunhos de atuação na defesa das causas sociais exaltam a dignidade institucional. Lembra dos adolescentes infratores que você com sabedoria e senso de justiça, restituiu-lhes a vida e dignidade, e, hoje, são homens livres, recuperados e cidadãos!?

Somente os fracos de alma, mesquinhos, sem sonhos e propósitos de vida são indiferentes a essa rica e corajosa atuação na defesa das Liberdades públicas, em assimilação ao preceito do pastor e pacifista Luther King de que a "liberdade jamais vem de graça".

O homem compromissado com o ideal coletico sabe da sua responsabilidade histórica no processo de transformação social. Não fica à mercê das vaidades, das contigências políticas nem do recebimentos de honrarias ou prestígio político para cumprir seu dever institucional. Ele é muito maior que tudo isto! Apenas uma coisa que ele não abdica e o move, o respeito do Povo.

É o seu caso Marinho Mendes....

Um fraterno abraço,
Rosane Araújo

• O crime de Biuzinha e Agrinésia - Publicado pela Promotora de Justiça Ana Maria de França no Fórum permanente

Marinho,

Você conseguiu traduzir de maneira sublime a monstruosidade daquelas duas criaturas que não merecem, definitivamente não merecem, ser tratadas pelo nome de "mãe".

Estava eu substituindo cumulativamente em Jacaraú e realizei o Júri das infelizes.

Tive que debater com um advogado mercenário e antiético. Foi trabalhosa a condenação de ambas. Não é com sorriso nos lábios que se coloca alguém atrás das grades, assim como também não é com lágrimas nos olhos.

Lágrimas nos olhos fiquei por vários dias a imaginar o sofrimento do recem nascido naquele cair da tarde. Não houve naquela casa quem se alegrasse com o nascimento daquela criança: nasceu sem o direito de chorar, seu cueiro foram trapos que serviram para sufocar-lhe; seu berço foi o fundo de uma gaveta de armário e seu túmulo foi o lamaçal de um açude.

A Agrinésia, depois de dar à luz, seguiu tranquilamente para a escola. Como se nada tivesse acontecido. A Biuzinha chegou a dizer no dia seguinte que o trabalho de macumba feito por "Sarita" (você sabe de quem se trata) tinha surtido efeito, de tal modo que o "caroço" de Agrinésia tinha desaparecido.

A cena horripilante aparece-me à mente toda a vez que me lembro do fato. SAber que todos os voluntários alumiaram o açude na vã esperança de encontrar o menininho vivo. Ilusão, ambas sabiam desde sempre que a criança estava com Deus.

Olha Marinho, tenho para mim que vamos levar em nossas mentes para sempre casos como estes, como que um fantasma a nos perguntar insistentemente o motivo pelo qual Deus ainda não desistiu da humanidade.

Abraços para ti,

Ana Maria França.